agosto 30, 2010

It's hard to be sad



Já tive a impressão de que a maioria dos escritores são infelizes. Até mesmo eu, ao me ler, me vejo triste.

A explicação pra isso é simples: Ficar triste dá mais trabalho.
Geralmente não é preciso 'desabafar' alegria. Alguns sorrisos expressam o que tem dentro da gente e isso não incomoda.
Já quando nos machucamos, a dor ocupa mais espaço, é mais difícil de lidar. E na maioria das vezes chorar não é o bastante pra se livrar dela. Nós escrevemos livros, fazemos músicas, conversamos, tentamos entender algo tão abstrato, aquilo que foi feito só pra sentir...

Até que o sorriso tomar conta nosso coração e do nosso rosto. De novo e de novo...

agosto 26, 2010

Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa.



Tati Bernardi
"Eu tento, juro que tento. Mas a droga do romance não me deixa em paz. É uma praga."

Tati Bernardi

Nothing worth it.

Você não vale um poema, um verso, a rima incompleta, uma letra para a melodia que se repete no silêncio. Não vale. Você não vale a madrugada desperdiçada, o amanhecer no sofá, a febre, o vômito, o grito, uma fotografia rasgada, um caderno queimado, os cabides quebrados. Não vale. Você não vale o corte riscando o pulso, um punhado de remédios, os CDs tristes, um solo de violão, a mão por horas sobre o telefone, a espera, um carro no poste, um soco na parede, o vaso jogado no chão, você não vale. Não vale um espelho trincado, o copo atirado, o lamento atravessando a cidade, o palavrão. Não. Você não vale o tempo esquecido, a teimosia da busca. Mas eu lhe procuro. Ainda. Eu escrevo versos, faço poemas. Eu amanheço na febre, acelero contra a parede, ouço discos arranhados, engulo comprimidos em punhados. Você não sabe, não imagina. Mas eu não aprendi.

agosto 25, 2010

Amor de ponto de ônibus

Aí você sai de casa às 7h da manhã para ir ao trabalho, num clima que não se decide se chove ou faz sol, mas que de um jeito ou de outro vai lhe incomodar. Pudera. São 7h da manhã. Claro, se você acorda às 6h, pra sair às 7h e chegar no trabalho às 9h, é porque você não tem carro. Logo, ainda lhe resta encarar um cheio, sujo e chacoalhante ônibus.

A mochila, que normalmente tem no máximo uns 2 quilos, parece pesar um saco de batatas e seu All Stars novinho incomoda mais do que se você estivesse descalço no aslfato. Pais levando seus filhos mal-criados para a escola buzinam loucamente, de modo que nem headphones tocando Mastodon no máximo vão lhe livrar da barulheira.

São 7h da manhã, e nem o cheiro de pão quentinho na padaria e os R$ 10 que você achou no chão vão lhe animar. Tem mil e quinhentas pessoas no ponto de ônibus, e isso não ajuda nem um pouco a melhorar o seu humor. Aliás, até chegar às 18h da sexta-feira, NADA vai melhorar o seu humor.

Ou quase nada.

Mochila verde escura cheia de bottons, cabelos curtos e cacheados, All Stars branquinhos iguais aos seus, olhos castanhos claros, blusa azul escura minuciosamente amassada e exatos 1,65m de altura que só Deus sabe como você mediu. Ela está lá, ouvindo alguma música bem pop no iPod, por mais poser que o short jeans cinza escuro a faça parecer.

Paradinha, quase completamente desligada do resto do mundo, cantarolando Lady Gaga bem baixinho, só mexendo os lábios. Ou poderia ser Primal Scream, ou Dead Weather, ou Pato Fu, ou qualquer outra banda que coincidentemente você também adora, ou um podcast bem retardado que você achou que só malucos como você acompanhavam, ou entMEU DEUS DO CÉU LÁ VEM O ÔNIBUS E AGORA? Como você vai saber se ela tem cheiro de perfume Carolina Herrera?

Sorte sua que Joseph Climber é um sábio, e a vida é uma caixinha de surpresas. Por intervenção divina ela entra no mesmo ônibus que você, para bem na sua frente na hora de pagar a passagem, fica em pé costa a costa com você enquanto não tem lugar vago e senta bem do seu lado quando os dois carinhas que estavam medindo seus bíceps em voz alta resolvem descer.

Aí você descobre que ela usa SIM perfume Carolina Herrera, e que lê revista da Turma da Mônica, e que faz faculdade de jornalismo na mesma faculdade que você fez, e que ela tem vergonha de olhar as pessoas nos olhos e que ela é exatamente do jeitinho que você imaginou que o grande amor da sua vida deveria ser.

E você fica imaginando cada programa esdrúxulo que vocês fariam no fim-de-semana, e cada complicação na hora de escolher que filme vocês vão baixar porque cinema tá caro, e cada vez que ela ia tropeçar nos próprios pés e rir de si mesma, e cada jantar num bistrô exótico em que ela achasse normal pagar R$ 80 num sorvete, e cada noite acordado junto com ela ajudando-a a fazer aquela série de reportagens chatas sobre ONGs para aquela professora megera…

Você a olha discretamente, reparando em cada mínimo detalhe, percebe (ou acha que percebe) que ela também lhe dá uma espiada marota, disfarça, tenta ser displicente, quase com se o simples fato de ela estar ali do seu lado no ônibus seja um encontro, um flerte. Cogita que ela possa descer no mesmo ponto que você, para que de repente vocês troquem duas ou três palavras despretensiosas e você consiga majestosamente descobrir o nome dela.

Especula até que, por uma conjunção dos astros, ela possa estar indo para o mesmo lugar que você, com algum interesse completamente inesperado que futuramente vai ser motivo de risadas entre vocês num domingo chuvoso em que a única coisa a fazer será ficar debaixo do edredon assistindo aquela série que ambos estão atrasados. Ou dormindo. Ou comendo porcaria. Ou brigando. Ou fazendo as pazes.

A sua fantasia o leva até a pensar que “Deus do céu, parece coisa de filme”, o leva a ter esperanças de um final feliz, o leva a pensar que essa história de destino é verdade e que por uma grande ironia do universo ou de um gerador de improbabilidade infinita você estava no lugar certo, na hora certa e com a motivação certa. “Minha hora chegou!”

Aí ela desce do ônibus.

agosto 21, 2010

Drunk Hapiness

Dentro de cada copo, se encontram vários tipos de desejos e lamentações, cabe ao indivíduo escolher o que vai ser.
As pessoas na maior parte das vezes em que bebem, não é porque gostam, e sim porque querem se esconder, se confundir, esquecer de coisas que vivem ali enquanto conscientes, agulhando-as; então pensam que depois de umas viradas de copo, já estão prontas para serem mais felizes, ter coragem de fazer o que não se faz de jeito nenhum enquanto sóbrio, e até mesmo cogitar a idéia tola de enlouquecer permanentemente.
Quanto mais forte a bebida, maiores são as esperanças depositadas nela, que mesmo sabendo que não duram muito, se satisfazem com somente algumas horas…
A pior parte vem depois, o dia seguinte, em que se vêem em si novamente e percebem que ou fizeram algo que não era para ser feito, e se arrependem de ter feito aquilo em momento indevido, mas mesmo assim continuam bebendo, continuam acreditando nessas doces ilusões que se tornam quase sempre em amargas realidades.
Então se é para esquecer nem que seja por um momento, por favor, me ve mais um daqueles sonhos engarrafados, ou uma consolação líquida e pode vir também com alegria pós ingerida e que seja sem arrependimento.

agosto 16, 2010

Agora vou contar essa história: (...)

Porque afinal, já estava demorando pra eu começar a fantasiar e colorir as coisas.
Não me contento em ser apenas narradora desses contos de fadas, o papel que seria tão fácil!
Mas acho que não é pra mim. Sempre me enfio no meio da história, fazendo de tudo pra se encaixar na protagonista e concordar com a trilha sonora.
Mas sou feliz assim, a partir do momento em que me encaixo no meu papel de narrador personagem, e começo a ver que isso é realmente pra mim.
E ao me acostumar com a idéia, acabo achando a beleza dela. E assim as coisas seguem...
I just want some one to say to me, oh oh oh oh...
"I'll always be there when you wake!"
Blind Melon - No Rain

agosto 15, 2010

Actually, it never ends.

Well, I really think that I could fall in love again.
I'm just afraid of doing it wrong... I mean, like ever!


"Descobri que na frente dele não consigo dizer muita coisa. Mas sorrio o tempo todo, e só faço isso porque tenho vontade, porque ele me instiga a sorrir, porque ele me olha… e me olha parecendo querer me descobrir… "

agosto 11, 2010

Just a letter (...)

Dear You,
I miss you. I miss how you cared for me,
how you always make my day, how you used to
cheer me up, and how you make me feel that you love me.

I miss everything that you used to be
WHAT HAPPENED?
Love, Me.

agosto 10, 2010

it sucks!

Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele(...)
- Caio Fernando de Abreu
Sem dedicatórias, apenas o que eu penso.


Mesmice, é monótono, todos iguais!
É triste, mas quando se está apaixonada, toda e qualquer coisa tem graça. Já quando se acorda, quando algo te obriga a acordar... "Nossa, onde me enfiei?"

Reed my mind!


Em meio aos berros da minha professora de redação me pego pensando: Qual seria o sentido da minha escrita? Escrevo para desabafar, para me explicar, e as vezes só pra tornar real. Já pensei estar me expondo demais, ao tentar me decifrar em palavras, entrego muito de mim. E talvez seja essa a beleza em colocar a alma na escrita. Descrever meus pensamentos, até os mais profundos e secretos, aqueles que tem dono e os que são só por mim.
Escrevo, descrevo, me explico demais e me entrego.
E você, ao me ler me tem e me sabe. Deixando um pouco de lado minha complexidade e frescura, sendo direta: Ao me ler, tens a parte mais fácil de mim, aquela que sei transpor, aquela que já tento entender.

agosto 05, 2010

I miss him


I know, I shouldn’t. I know, really, that it’s not him I miss, it’s the idea of him. It’s the idea of having a guy to spoon with at night, a guy to go to the movies, a guy who I want to share my day with, a guy who I want to know everything about. I know its not him. But it’s him. I miss the way he laughs. I miss the flerty e-mails. I miss knowing how he’s doing…
I just miss him…