"Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"Caio Fernando de Abreu
outubro 20, 2010
Até quando?
outubro 19, 2010
Vai passar.
" Olhe, não fique assim não.. vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. (Fernando Pessoa escreveu, num momento parecido, "hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu").
Dor é assim mesmo: arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás.
Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe.
A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou.
Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: "É melhor viver do que ser feliz". Porque pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa.
Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o unico jeito de deixá-la pra trás é continuar andando.
Você vai ser feliz.
Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha?
Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade.
Eu não minto.
Vai passar."
Antonio Prata
outubro 17, 2010
Good night, sweetheart. Hope that you dream with me.
Não sem quão compreensível será o que vou escrever.
E, me ocorre também, não sei o quão compreensível posso ser.
Essa mania de botar palavras em todo processo mental e sempre achar que as coisas são mais do que acho, me come um pedaço da felicidade.
Dizem que a felicidade nunca é plena, e o que existe, são momentos felizes.
Então quem vai me avisar quando os tais momentos chegarem? Eu os procuro, demais. E deve ser por isso quem quase nunca acho.
Estou sempre atenta quando não preciso. Esses detalhes banais, algumas vezes, são tudo que noto.
Vou me concentrar menos.
Decidir o que é vida séria e o que é sonho.
Vida séria vivo de olhos abertos. E Sonhos apenas sinto de olhos fechados.
E, aproveitando a oportunidade - e com um certo medo de parecer ridícula - te desafio a me desconcentrar. Por que, afinal, creio que isso seja meio sonho.
04:14 / 05:14
Chegar em casa com o sol quase nascendo - creio que está quase nascendo - e sem vontade alguma de dormir. Não que isso seja um problema.
Me sinto bem. Muito bem.
E há muito tempo que não me sentia assim.
Não sei se são meus hormônios ou se é você, mas algo está combinando muito bem comigo agora.
Não sou boa com declarações de amor (em fazer ou receber) - e não acho que haja alguém que saiba fazer isso "direito"- nem você.
Penso que o que sinto nesse momento seja uma declaração de amor à mim mesma.
E é muito bela.
Embora ainda tenha muito o que escrever, o sono finalmente - ou seria infelizmente? - me bate.
Espero ter tempo para continuar com isso.
Também comigo. E quem sabe com nós.
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