fevereiro 25, 2011

Too bad

E me dá aquela vontade de fazer tudo sozinha. Comprar uma passagem pra Ubatuba, alugar um barquinho e sumir no horizonte. Procurar aquele tal lugar onde as pessoas são felizes, não se afastam, não se traem nem se cansam.
Sabe o que cansa? Realidade cansa, desânimo cansa, rotina, claro, cansa. Pessoas me cansam, falta de pessoas me cansa. Previsão de solidão assusta.
Assusta ficar sozinho. Assusta pensar em sentir falta. Assusta tanto que dá vontade de jogar tudo pro alto e mudar de cidade, de vida, de amigos, de corpo, de personalidade, de alma...
Já me assustei. A ponto de achar que não seria nada sem os estranhos que fazem parte do meu dia a dia e enfeitam o cenário rotineiro, que não daria pé, que eu seria de menos e choraria até o fim das lágrimas, sozinha e assustada.

E é isso que mais assusta: Ser assustada.

Depois penso: Tudo isso é normal. Já não é a primeira vez que acho que será a última. Gosto de drama e exagerar no medo, de dificultar. O pessimismo é minha cara.

E então, já que já sobrevivi ao medo algumas vezes, a tristeza ainda não me derrubou e raiva nenhuma me queimou viva, andei pensando em aguentar mais um pouco dessa vez. Não sou um poço de credo e otimismo, mas pode ser bom, sabe, mudar um pouco. Apesar do susto, pode ser bom... Afinal, o que na vida não assusta?

Victória D. Medolago

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